1a. Parte do capitulo
PAULO: ENCERRANDO UM CAPITULO DE SUCESSO
Entre os alpinistas existem poucos como Ed Viesturs Ele possui a distinção de ter escalado todos os 14 picos do Monte Everest. Diferentemente de outros escaladores, alcançou os cumes sem a ajuda de um tanque de oxigênio. Mas não é um valentão precipitado – em 1987, quando estava a apenas um pouco mais de 100 metros do cume, ele voltou. Estava sem corda para escalada e estava ficando escuro. “Chegar ao topo é opcional, mas descer é obrigatório” , dizia. Muitas pessoas se concentram no cume e se esquecem disso”.
Essa febre pelo cume foi, provavelmente, a causa de muitas escaladas desastrosas – assim como descidas. Viesturs aludiu a um dos piores desastres de montanha na memória recente. Em 10 de maio de 1996, o Everest tirou a vida de oito escaladores, entre eles veteranos calejados. No seu trajeto em direção ao topo, enfrentaram um clima hostil e superaram obstáculos árduos. Mas conseguiram chegar ao topo. Exaltados por sua conquista saíram em direção ao acampamento base. Na descida, uma tempestade incomum os atingiu e eles morreram, um após o outro.
A tragédia não foi só que esses homens e mulheres perderam suas vidas, mas que eles as perderam descendo a montanha. Escalar uma montanha é um desafio; o mesmo vale para a descida. Os perigos e os riscos da descida são tantos e tão enormes quanto os da subida. O perigo da “febre do cume” se aplica não somente à escalada, mas também à vida. Escalar a escada do sucesso nos desnorteia com uma obsseção: chegar ao topo. Quando o alcançamos, nos deleitamos com o brilho de nossa conquista e esquecemos que ainda há uma jornada de descida.
ENTRE DOIS DESCONHECIDOS
Como podemos encerrar uma etapa de sucesso? O sucesso precisa de encerramento? Sim – da mesma forma que uma chegada bem-sucedida ao cume necessita de uma descida segura dele. O sucesso tem seus próprios perigos; se baixarmos a guarda, pereceremos como resultado disso. Muitos lideres de sucesso fracassaram em terminar bem. Salomão foi arruinado pelo sucesso; Saul foi endurecido por ele. O sucesso transformou Nabucodonosor num maníaco egoísta, e Joabe num assassino cruel.
De acordo com todas as narrativas, Paulo, apostolo de Jesus Cristo, alcançou um sucesso estrondoso. Ele viajou muito e pregou o evangelho poderosamente. Também estabeleceu igrejas através de todo o mundo conhecido da época e levantou uma geração de lideres para assegurar sua subsistência. Ele defendeu a fé contra os falsos mestres e escreveu cartas que ainda são lidas até o dia de hoje. Mesmo assim, o sucesso não lhe subiu à cabeça; não se apegou à sua aura, nem aderiu a seu pedestal. Paulo sempre foi um homem de transição.
O encontramos em Mileto, uma cidade costeira no litoral leste do mar Mediterrâneo, quando ia a caminho de Jerusalém, a capital do mundo israelita. Ele havia deixado há pouco tempo a cidade de Éfeso, na Asia Menor, depois de três anos bem-sucedido na obra de implantação de igrejas e ministério pastoral. Desde Mileto, enviou uma carta aos anciãos da igreja de Éfeso, onde abriu seu coração em uma tocante despedida endereçada a eles. Por três vezes, em sua epistola, Paulo diz: “Eu sei”.
“E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo
o que lá me há de acontecer,
Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam
prisões e tribulações”. At. 20.22,23
“E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto”. At.20.25
“Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;
E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. At. 20.29,30
Ele sabia que surgiriam problemas em Éfeso após a sua partida. Estava ciente também que enfrentaria problemas me Jerusalém na sua chegada. Apesar desse conhecimento, decidiu deixar Éfeso e ir para Jerusalém. O curso de ação de Paulo não faz sentido para nós. Tudo que aprendemos sobre sua situação nos diz que ele deveria ter ficado em Éfeso, e permanecido longe de Jerusalém.
Por que Paulo foi a Jerusalém onde perigos específicos o aguardavam? Porque ele queria deixar o seu rebanho, a igreja que fundou, as pessoas que amava, quando sabia que os lobos viriam e dispersariam as ovelhas? Como ele, na posição de pastor responsável e amoroso, abandonava as suas ovelhas? E porque jogou fora três anos de sua vida nesse trabalho?
Em sua transição, Paulo encontrava-se entre dois desconhecidos. Todas as transições nos deixam tentando adivinhar as respostas a todas as perguntas do tipo “e se” ou “que será”. O que aconteceria em Éfeso? E se ele tivesse ficado? O que aconteceria em Jerusalém? E se ele não fizesse a viagem?
Nunca entenderemos Paulo a menos que nos apeguemos a suas profundas convicções. Primeiramente, Paulo cria que sua vida pertencia a Deus. Ele não estava preocupado com sua vida ou com seu futuro. “Mas em nada tenho minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” At. 20.24
SUA VIDA PERTENCE A DEUS
Paulo não estava dizendo que sua vida não significava nada para ele, mas sim que ela não era importante quando comparada a algo mais. Esse algo mais é cumprir com alegria a sua carreira e o ministério que recebeu do Senhor Jesus. Cada um de nós tem uma carreira a ser corrida e terminada, um ministério para cumprir e completar. A menos que nossa vida seja dedicada a terminar a carreira e completar a tarefa, ela não tem valor.
Conta-se a historia de um coronel do exercito a quem foi dada a missão de conquistar uma cidade. Tal cidade se localizava no alto de uma colina, estrategicamente posicionada no campo de batalha. Foi-lhe dito que sua missão era critica: se eles conseguissem tomar a cidade, venceriam a guerra.
O coronel então partiu em direção à cidade. No caminho, ele e seus soldados foram interrompidos por um enorme pântano. A única maneira de chegar até a cidade era através do pântano. Ele e seus homens decidiram acabar com o pântano. Eles estancaram os córregos, encheram o pântano de terra e drenaram toda a água Seu trabalho levou de dias a semanas, de semanas a meses. Durante esse tempo, batalharam com o clima esgotante, com os crocodilos comedores de gente e com os mosquitos transmissores de malaria. Finalmente, após meses de trabalho duro, o pântano havia desaparecido. O coronel então mandou uma mensagem ao quartel-general: “Missão cumprida!”.
É claro que a missão não estava cumprida. Sua missão não era acabar com o pântano, mas sim tomar a cidade. Acabar com o pântano foi apenas o meio para alcançar o fim. Ainda assim, muitos de nós nos tornamos tão preocupados com os meios que esquecemos os fins. Ficamos tão ocupados fazendo coisas que nos esquecemos do porque as estamos fazendo. Ficamos tão ocupados drenando o pântano que esquecemos que a nossa missão original é tomar a cidade.
Paulo nunca perdeu seu foco. Ele nunca se esqueceu de sua missão original ou confundiu os meios com os fins. Tampouco tinha medo de se dirigir a Jerusalém porque sabia que seu futuro repousava nas mãos de Deus. A menos que sua vida cumprisse os propósitos de Deus, ela não valia nada.
Paulo tinha ainda outra convicção profunda que explica sua decisão de sair de Éfeso. Ele não apenas cria que sua vida pertencia a Deus, como estava convencido de que a igreja também pertencia a Deus. Ele afirmou esta verdade em termos claros: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. At. 20.28
Continuaremos quando terminar a digitação rsrsrsrsrs
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